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:. Crônicas


Pescaria: união de desconhecidos por um bem comum
Por: McLeod, 31/01/2005

Enquanto alguns tentam formar uma comunidade unida, solidária e companheira, outros, estes leigos, desprovidos de meios de informação imediatos tais como televisão e Internet, acabam por tentar denegrir uma imagem que vêm se formando rapidamente diante dos olhos de todos.

Lembro-me de uma oportunidade de pesca que tive, juntamente com meu parceiro, em um pesqueiro próximo ao centro de Curitiba.
Dentre arremessos incautos e iscas perdidas, muitas risadas e refrigerantes, um clima bastante agradável e outras mais, tudo auxiliava no processo de "desinfecção" do stress semanal através da pescaria.

Dado momento, sinto uma "chicotada" literal no couro do boné quase que como pedras batendo contra a superfície lisa. Olho em volta e nada vejo.
Que faço? Continuo a pescaria, trocando iscas artificiais e sapos de borracha em busca de um peixe com problemas de visão e muita fome.

Dali alguns minutos, nova chicotada no boné mas desta vez flagro um indivíduo, pescando a dois metros da minha pessoa, com um molinete (linha com bóia, chunbo, anzol e isca) terminando seu arremesso e constato que o "amigo" de nada cuidava da presença dos demais no momento do arremesso. O que se torna incauto e extremamente perigoso para a saúde de quem passa por perto, como era o meu caso e de meu parceiro. Quem pesca sabe do perigo de um arremesso descuidado tendo em vista as pontas afiadas de anzóis e garatéias. O indivíduo em questão, com o molinete na mão, era mais perigoso que o próprio "Jack, o estripador".

Como minha atitude defensiva e até humanitária, pois ao invés de mim o colega poderia muito bem acertar o pescoço de uma criança, comento, com o colega pescador, chamando-lhe a atenção para o que estava ocorrendo quando este arremessava a linha com o molinete e lhe peço mais cuidado no momento dos arremessos.
E para meu espanto e de meu parceiro, eu, acostumado com a cordialidade que tanto convivo na beira de pesqueiros, onde não existe rico ou pobre, gordo ou magro, feio ou bonito, e sim pescador e pescador trocando informações e bate-papos saudáveis, sou retrucado com um sonoro "PALAVRÃO" do indivíduo em questão, que não está nem aí com o companheiro ao seu lado e se preocupa apenas com o próprio nariz ecom o anzol enferrujado.

A decorrência foi um bate-boca nada agradável aos ouvidos dos amigos leitores ao qual vos pouparei nesta leitura.

Ou seja, apesar de tantos meios de comunicação, de tamanha overdose de informações com as quais somos bombardeados diariamente através da internet, da TV, do rádio, dos jornais e mídia impressa em geral.... ainda existem pessoas que não conseguem discernir entre o certo e o errado, entre a amizade e a guerra, entre o viver em harmonia e o viver sozinho.

São pessoas das quais tenho pena, pois a falta de informação acaba por tornar tais pessoas solitárias. É a forma como estas pessoas refletem sua ignorância ao meio extreno, através de falta de educação, egoísmo, violência e desinformação.

São pessoas que nunca poderão contar com uma comunidade como a nossa.
São pescadores de final de semana. Caiçaras de vida inteira.




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