Vivendo
e aprendendo
Por Mcleod
“Hoje
é o meu
dia. Só meu. Ninguém hoje conseguirá
me tirar do sério.” – penso eu, segurando
um sorriso malicioso no canto da boca, enquanto carrego
as tralhas de pesca em direção ao maior
lago do meu pesqueiro favorito.
Lago
vazio, sol aparecendo no horizonte, e já estou
pronto. Monto duas varas com milho cozido, atrás
de umas belas tilápias. Uma terceira vara eu monto
com vina... Isso, um bom pedaço iscado conforme
o jornal de pesca e sem esquecer o pequeno empate de aço...
Na quarta vara, fígado de galinha para pegar um
belo bagrão. Desta vez fui esperto... cortei o
fígado bem certinho e coloquei tudo em uma sacola
plástica com farinha de milho até o topo.
A sacola, bem vedada foi pro freezer ontem a noite. Olha
só o resultado, isquei o fígado sem uma
sujeirinha sequer... Beleza!
Aproveitando,
vou montar aquela varinha de lambari.... um pequenino
bichinho do pão deve resolver....
Bóia na água, cerveja aberta, é só
esperar. Opa... tá beliscando... pego a varinha
de “lambas” bem devagar e seguro... espero...
aguardo... AGORA! Fisgo firme e..... Beleza, um rabo vermelho
daqueles bonitos. Agora posso armar a sexta varinha com
o “lamba” vivo naquela beirada cheia de capim
para tentar uma trairinha. Nunca se sabe...
Mais um gole de cerveja e me sento para curtir esse dia
que é só meu. Ligo meu velho radinho à
pilha no canal sertanejo e me permito relaxar sem pressa.
Se estivesse agora em casa, pleno sábado, aposto
que a patroa estaria me colocando para cortar a grama
ou lavar o carro. Mas não... hoje não. Planejei
este meu fim de semana já a três dias....
Está tudo acertadinho, o dia só meu, exopor
cheio, varas armadas, o lago só meu....
Ih... que carro é aquele parando ao lado do meu?
Ah não importa.... o meu tá na sombra...
e aquela sombra vai ficar ali por muito tempo ainda...
Nossa, é um pescador. Mas só isso de equipamento?
Uma maletinha ... duas varinhas... só isso? Ah,
não..... É um daqueles “pescadores
esportivos”.... Ah, mas ele que nem tente me incomodar.
Estou no melhor ponto do pesqueiro, pronto para encher
o samburá e daqui ninguém me tira.
Me
deito confortável, finjo que nem reparei a sua
presença. Aumento um pouco o som do rádio.
Abro bem as pernas para ocupar mais espaço nessa
sombra gostosa... Se vier pedir cerveja vai levar porrada.
Tá pensando o quê.
Com os olhos semi-cerrados observo enquanto o pescador
vai pro outro lado do lago.
Beleza. Melhor prá mim. Lá ele não
vai me atrapalh... Putz, a salsicha!
Retiro
a vara rapidamente do suporte, fisgo de uma só
vez e quase termino com o anzol encastoado fincado na
testa.
Perdi o primeiro.
Enquanto isco a outra metade da salsicha tento não
culpar o tal “pescador esportivo” do outro
lado do lago pelo fato de ter tirado minha atenção
e ter me feito perder o primeiro peixe... Esse pessoal
pensa que pesca mais do que eu, que tenho mais de 40 anos
de pescaria. Putz... Ele cumprimentou, acenando com a
mão... E agora? Vamos lá, seja amigável,
afinal ele é um pescador também...
Logo o cumprimento da mesma forma, com um largo sorriso
no rosto, como quem curte a companhia em um dia que devia
ser só meu. Passado o constrangimento, a salsicha
encastoada mergulha no centro do lago em um arremesso
digno de troféu. Quase 7 metros!
Impossível conter a satisfação. Sorrio
gostoso e volto a me sentar e pegar minha cerveja. Observo
o tal pescador com sua varinha.
O que ele tá montando? Ah, uma carretilha. Já
vi que ele vai começar com aqueles arremessos irritantes
e incessantes que não resultam em nada... aliás,
resultam sim.... resultam em espantar meus peixes!
Tento não grunhir enquanto divido a atenção
entre minhas poucas varinhas e o tal pescador.... Lá
está, começou. Como aquele negócio
de plástico vai pegar um peixe eu não sei,
mas já começou. É, o importante é
ter esperança. Pescador sem esperança não
sabe nem mentir direito e pescador que não mente,
não pesca.
De tanto olhar aquele cara arremessando tá me dando
sono. Ainda bem que ele está longe e não
me incomoda. Para acordar, resolvo revistar as varinhas
de tilápia e para minha surpresa capturo a minha
primeira sem querer, enquanto levanto a linha para ver
se a isca está bem.
Disfarço o espanto e estufo o peito com orgulho.
O peixe ajuda e briga bastante, sendo que eu ainda valorizo
um pouquinho para chamar a atenção do meu
colega. Ó, ele já viu. Eu o cumprimento
novamente em um aceno manual e um largo sorriso no rosto.
Viu só, uma varinha leve, peninha, anzolzinho....
bem menos cansativo que esses arremessos sem sentido....
Retiro a tilápia com ar superior.... Linda, rosada,
pulando na grama. Nossa, uma baita de um palmo e meio.
Caraca, que bitela. Deve ter quase um quilo. Não,
certamente tem mais de um quilo. Enquanto retiro o anzol
em meio ao bate rebate da tilápia ouço um
trovão na água ao longe. Observo então
meu colega pescador, que para minha surpresa engata algo
em um daqueles malditos pedaços de plástico.
Enquanto coloco minha tilápia no samburá
observo um peixe se debatendo na linha do colega pescador
e puxando a linha freneticamente pelo espelho d’água.
Começo a iscar novamente um grão de milho
e armo as varas novamente, enquanto a briga do camarada
continua. Depois de mais alguns minutos ele se abaixa
na beirada oposta do lago e, com um daqueles alicates
grandes e caros, finalmente retira uma tilápia
que, a partir daquele instante, transformou minha bitela
no samburá em um chinelinho infantil.
É impossível não ter pensamentos
impróprios. Estou aqui a mais tempo e só
peguei uma lombriguinha pequenininha. E chega um camarada,
e em três arremessos tira uma aberração
dessas do lago na minha frente. Abro outra cerveja e me
sento novamente imaginando que aquele peixe só
pode estar doente para cair em um truque desses. Entre
um gole e outro quase engasgo com o que vejo: o camarada
soltando a chulapa novamente no lago.
- Mas que burro! – penso tão alto que sou
obrigado a disfarçar para não dar na vista,
cantarolando Reginaldo Rossi e aumentando o volume do
rádio, enquanto o colega me observa com um sorriso
no rosto. Ele acena novamente enquanto eu, no esforço
para controlar minha indignação, respondo
ao aceno tentando expressar um sorriso, ainda pasmo com
a capacidade de um indivíduo perder tempo com um
pedaço de plástico se não vai levar
peixe algum prá casa.
Passam-se alguns minutos e faço nova revista em
minhas varinhas armadas com tanta dedicação.
Troco o milho verde por uma massinha vermelha, dessas
que se faz com água do pesqueiro mesmo. Tudo bem,
suja um pouquinho mas nada que não dê pra
lavar. Fora que, pescador que é pescador não
tem medo de se sujar, de levar mordida de mosquito, pernilongo,
porvinha ou o que for. “Pescador tem que estar pronto
prá tudo” eu penso enquanto pego um novo
pedaço de fígado para tentar pegar aquele
bagrão. Putz ...Esse fígado já descongelou
faz mais de uma hora. Já virou uma geléia
desforme, quase uma goma. “Se isso parar no anzol
eu devolvo o maior peixe que eu pegar hoje” penso.
Nossa, olha a meleca que ficou o cabo da vara... E meu
molinete, então, nunca mais será o mesmo...
Droga, esfreguei a mão na calça. Agora sim
vai ficar bom, mão limpa, isso que é importante.
O lambari já está meio morto, quase nem
nada mais, mas não importa. Uma trairinha ao menos
deve sair hoje, de qualquer jeito.
Mas vamos lá. Quase meio-dia. Ao menos estamos
ainda no um a um.
Mal termino de fazer as contas e um novo estrondo é
ouvido na beirada oposta do lago. Uma nova briga entre
meu colega e algum outro peixe. Espero que desta vez seja
um peixe menor. Ou melhor. Tomara que arrebente a linha.
Tomara que perca. Cruzo os dedos e fixo o olho na linha
como se pudesse rompê-la com o poder da mente.
E a briga ferrenha começa a vir para o meu lado.
Olho para minhas varas meio sem saber como lidar, enquanto
aquela ameaça se aproxima pronta para destruir
minha paz neste meu recanto sagrado. Mas na última
hora o peixe parece ter cansado e acaba se rendendo. Da
mesma forma como o anterior, com o tal alicate o pescador
levanta da água um dos maiores pacús que
eu já vi neste pesqueiro.
Fico indignado. Pacú no plástico. Daqui
a pouco vão estar fazendo minhoca de borracha para
substituir as tradicionais.
Ah é. É provocação agora.
Batendo fotos como se fosse um modelo profissional. Que
graça tem fazer pose com a comida para sair num
pedaço de papel? Pacú bom é na grelha,
assado, e não em um pedaço de papel. Nesse
instante, enquanto penso com meus botões, sinto
meu bigode arrepiar enquanto vejo o camarada se debruçando
e soltando o pacú pelo rabo no espelho d’água
o assistindo ir embora, alegre e sorridente.
Engasgo com a cerveja quando vejo um novo aceno em minha
direção. Mas, que ousadia! Com certeza é
provocação. Não consigo entender
uma pessoa que perde tempo assim. Volto a prestar atenção
em outra coisa e só então vejo as bóias
das varas de tilápia retornando à superfície.
Revisto os anzóis e confirmo o roubo das iscas.
Perdi o segundo e o terceiro.
E eu que achei que já tinha acalmado, mal imaginei
o que estava por vir. Enfio os dedos na massa de ração
novamente e armo as varas. Mais uma vez esqueço
de limpar os dedos antes de tocar no material e o paraíso
começa a feder ração de peixe.
“Pronto. Agora ele resolveu acabar com a minha pescaria
também” penso eu, enquanto o observo arremessando
um palmo cheia de ração seca no lago. Vejo
aquelas bolinhas caindo espalhadas e boiarem na superfície
do lago. Eu não acredito que ele vai dar de comer
para os peixes ao invés de pescá-los.
No meio da minha indignação, já não
ligo mais em manter aparências. Abro mais uma cerveja
enquanto observo os peixes se alimentando no espelho d´água.
E o que ele está fazendo? Que aparato novo é
aquele? O camarada então se coloca a montar uma
nova vara, mais comprida e fina que a anterior, com um
aparato na extremidade do cabo, provavelmente para armazenar
linha. Com muita paciência, ele começa a
agitar aquela varinha pelo ar e a linha cada vez mais
longa serpenteia de um lado para o outro até cair
esticada sobre o espelho d’água.
Vejo aquela cena por várias vezes e em algumas
vezes chego a me afastar, certo de que vou ser atingido.
Que perigo isso. E se engatar em alguém essa linha
voando desse jeito? Logo dou-lhe umas boas palmadas...
Não sei se dou risada ou se choro. Impressionante
como uma pessoa consegue complicar algo simples com uma
pesca de tilápias. Olhe prá mim, eu aqui
com uma varinha simples... Opa, olha só, acabando
de pegar a segunda em uma fisgada seca. Grito de satisfação
em ver como é mais simples e tranquilo. Um pouquinho
de massinha e aí está, mais uma bela rosada
e.... O quê?
Observo enquanto meu oponente captura mais um peixe com
aquele novo equipamento. A vara comprida curvada inteira
e algo grande correndo no fundo do lago... Eu quase esqueço
de retirar minha segunda tilapinha enquanto meu oponente
continua uma briga de quase cinco minutos com sua presa.
Guardo minha captura enquanto o alicate do meu colega
entra em ação novamente, desta vez com uma
carpa capim de dar inveja. Mais uma seção
de fotos enquanto limpo a mão dessa massa vermelha
fedorenta. Gozado como nunca reparei em como essa massa
fede...
Antes do meio-dia ainda observo minhas linhas na água,
minhas bóias paradas enquanto o meu algoz retira
mais cinco ou seis exemplares. Sei lá, perdi a
conta de quantas carpas e tilápias ele capturou
e soltou. E para completar minha alegria, enquanto preparo
um foguinho para assar meu almoço, em um único
minuto de distração - pois estou firme na
minha pescaria e nada me atrapalha desde cedo - meu molinete,
com vara, suporte e tudo o mais é puxado de uma
só vez para dentro do lago e some de vista.
Solto um palavrão e pisoteio meu boné. Quase
viro a churrasqueira de armar e quase perco meu almoço.
Minha indignação é tamanha que quase
perco a fome. Reparo que meu colega me observa e, tentando
me controlar, disfarço como se nada tivesse acontecido.
Como se fosse possível.
Minutos se passam enquanto asso meu almoço. Observo
o lago parado e imagino onde estarão aqueles ogros
que o meu colega soltou. Bolo uma estratégia para
após o almoço e aguardo o momento certo.
O almoço se torna meio indigesto enquanto observo
minhas varas paradas, sem um único sinal de vida.
Lembro do meu molinete indo pro lago e quase mordo os
dedos. Observo meu oponente voltando do veículo
– e eu que achei que ele iria embora – com
um exopor de onde ele retira algo para comer e beber.
Após o almoço recomeçamos nossa disputa.
Armo as varas de tilápia com verdadeiros quibes
de ração vermelha de dar inveja a qualquer
restaurante libanês. Preparo a vara de pacu com
uma vina inteira, iscada de todos os lados possíveis,
com o empate de aço contornando a isca e atravessando.
Exagero um pouco no arremesso da vina, e a mesma cai do
outro lado do lago aos pedaços, deixando meu anzol
mergulhar vazio e solitário na água.
Recolho a linha com violência e isco meia vina,
conforme diz o jornal de pesca e o arremesso desconcentrado
sai fraco e curto. Mas deixe quieto. Melhor deixar assim.
Observo o lambari, já morto na linha de traíras.
Retiro-o do anzol, eviscero o pequenino e repico sua carne,
misturando tudo com uma grande bola de ração
vermelha. Pronto. Criei uma nova ração para
traíras baseada em ração de peixe
e lambari moído.
Armo cuidadosamente a linha na beirada dos capins mais
altos e me sento novamente.
Troco a cerveja por um refrigerante, afinal tenho que
voltar para casa dirigindo. Observo meu colega pescador
circulando o lago com a carretilha e os pedaços
de plástico. Pelo visto está atrás
de traíras também. Mas sem um bom lambari
vivo ele não vai conseguir nada pois traíra
e peixe predador e precisa de uma isca viva.... Interrompo
o pensamento quando lembro da “bolota” que
armei para traíras ali, ao meu lado e na esperança
que ainda me resta de pegar uma bocuda...
Mais um refrigerante e o dia vai passando. Sem ações
por minha parte ou por parte do meu colega pescador. Desmonto
as varas de tilápia pois já acabou a massa
e o milho verde. Olho pro samburá e vejo minhas
duas tilapinhas. Já me conformo que não
chegam nem a um palmo cada uma e que são realmente
menores do que aparentavam a horas atrás. Se as
duas juntas chegarem a meio quilo acho que estarei feliz.
Novo espalhafato por parte do meu colega. Porém,
bem mais fraco que os tradicionais. Uma briga leve e uma
pequena traíra salta de um lado para o outro pelo
lago como que brincando com a linha e com a isca de pedaço
de plástico.
Ah, mas agora eu vi. Minha linha de traíra começa
a beliscar. Olha que coisa linda, a bóinha dançando...
pindocando... pulandinho.. saltitando... Pego a vara na
mão, bem devagar e no mesmo instante a bóia
some nas profundezas.
Rapidamente fisgo de uma puxada só, porém
um pouco forte demais. Pula de dentro da água para
o meu colo a minha linha com a bóia, empate de
aço, anzol e uma traíra de doze centímetros
doida pra me morder. De susto, não consigo agarrar
o peixe. Caramba, que peixe liso. O peixe pula no meu
colo, gira, serpenteia e sacode como pode. E que lombriga,
não acredito que peguei algo tão pequeno
em um anzol tão grande... E o pior é ter
que cuidar com os dentes.... Aiiii! Na loucura de tirar
o bicho do meu colo enfio o anzol no dedo e ainda levo
uma mordida de leve na mão esquerda.
Depois do susto e com a traíra finalmente controlada,
seguro-a firmemente enquanto estanco o sangramento causado
pela mordida. Observo aquele que agora se tornara meu
algoz, retirando seu alicate da água com uma traíra
não muito grande, mas muito maior do que a minha.
Enquanto o vilão se fotografa com o pequeno troféu,
começo a recolher meu equipamento.
É isto que resta de um dia de pescaria. Duas tilápias
que não dão nem para um almoço, e
a trairinha mais braba do tanque. Além, é
claro, de uma mão enfaixada com um trapo sujo de
sangue, massa de pesca e restos de um lambari.
Quando termino de juntar meu equipamento ainda tenho o
prazer de ver meu arquinimigo com a linha presa no fundo
do lago. Finalmente a minha vingança. É
claro, a natureza tem de se vingar por tantas injustiças.
Aqui se faz, aqui se paga.
Solto minhas três conquistas no lago e caminho em
direção ao meu carro.
Cansado, sujo, suado, ferido, fedendo a ração
de peixe e totalmente decepcionado com aquele que seria
o meu dia, eu arrumo as tralhas de pesca no porta-malas
e entro no carro. Quando dou a partida sou surpreendido
com batidas no vidro. Abro a janela e qual a minha surpresa
quando vejo meu maior inimigo, segurando meu molinete
em uma das mãos, ainda com o suporte de varas preso
à vara, e um bagre de grandes proporções
na outra.
Saio do carro e fico um pouco atônito. Antes que
eu possa dizer algo, meu algoz inicia a conversa:
- Olá Sr. Por acaso este não é seu
equipamento que foi puxado para o lago hoje cedo?
- É sim. – respondo, confirmando com a cabeça.
- Pois eu estava agora ali batendo uma Big O da Cotton
Cordel quando senti um enrosco. Fiquei alguns minutos
tentando soltar a isca e quando consegui, junto com a
isca resgatei o seu equipamento. Fico feliz em devolvê-lo.
– Neste instante ele me estende a mão com
o equipamento que havia dado como perdido.
Meio envergonhado e totalmente sem graça, pego
o equipamento e constato que a linha está presa
ao bagrão que se debate freneticamente.
- E a propósito – antes que eu pergunte sou
interrompido novamente pelo pescador esportivo –
o seu equipamento não foi resgatado sozinho. Preso
a ele estava o responsável pelo Sr quase perder
seu molinete. Parabéns pela sua bela captura! –
finaliza ele, me estendendo a mão com o bagre preso
ao alicate que vi em ação por tantas vezes
no decorrer do dia. Ele me mostra que o alicate indica
o peso do exemplar e aponta um marcador por volta de cinco
quilos.
Sem saber o que fazer, seguro o bagre firme e pergunto
se meu novo parceiro bebe uma cerveja, o que ele prontamente
aceita.
Guardo o bagre e o equipamento no porta-malas com o auxílio
do meu novo parceiro de pesca e retiro do exopor duas
latas de cerveja com as cadeiras de praia meio enferrujadas.
Conversamos e bebemos por algum tempo, foi quando fiquei
sabendo mais sobre iscas artificiais. Soube que Cotton
Cordel é uma fabricante estrangeira de iscas artificiais
e Big O é um modelo muito famoso para pesca de
pacús. Recebi ainda algumas dicas sobre como iniciar
nesta modalidade da pesca que até então,
eu considerava totalmente inútil.
Aprendi uma coisa muito importante chamada “pesque
e solte” que tem o intuito de preservar as espécies.
E concordei quando conversamos sobre a importância
dos meus netos conhecerem este belo local com as mesmas
espécies de peixes que temos hoje e, de preferência,
com abundância de peixes. E ainda, o quanto é
importante ensiná-los a preservar.
Finalizando a conversa, meu novo amigo me deixou um cartão
com o endereço de um site na internet onde eu poderia
encontrá-lo para conversar mais sobre pesca e combinar
novas pescarias, e onde eu poderia interagir com mais
de uma centena de pescadores trocando conhecimentos e
informações. E complementou que os colegas
pescadores, pela internet mesmo, poderiam me auxiliar
fornecendo muitas dicas para começar a montar um
bom equipamento para pesca com iscas artificiais.
Antes ainda que eu fosse embora, meu novo amigo insistiu
em registrar o bagrão “ogro” em uma
foto que mais tarde eu receberia por e-mail e divulgaria
aos mais novos amigos do fórum de pesca.
Com isso sigo de volta prá casa, cansado, sujo,
suado, ferido. fedendo a ração de peixe
e extremamente contente em ter garantido este dia calmo
de pesca só prá mim e para meu novo amigo.
Isso me lembra que preciso fazer isso mais vezes...
::
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