Caminhos
Por Mcleod
“A
mesma calçada. As mesmas pedras concretadas na
trajetória. Os mesmos passos em uma velha caminhada
da vida, do tempo, da história.
Não me surpreendo por seguir a mesma linha, a mesma
trilha.
Os sapatos são outros, mas são tão
velhos quanto.
Minha sombra surge e desaparece na escuridão a
cada ponto de luz que passa sobre mim. Passa uma a uma,
em uma seqüência sem fim.
O
silêncio eventualmente é quebrado pelo freio
de um carro ao longe. Ou pelo som de um telefone que toca
em vão. Mas são apenas sons, sem uma imagem
que ilustre alguma ação. Nesta noite sou
cego perdido na imensidão.
Um cego sem guia. Meus pés são donos de
si e seguem por vontade própria. O que não
representa um problema, pois eles já conhecem o
caminho de cor e salteado.
É
um trajeto retilíneo que nos mantém presos
a uma rotina de esquina ante esquina, pedra ante pedra,
pé ante pé.
E
se eu mudar o caminho? E se eu virar em uma esquina, em
um cruzamento rumo ao desconhecido?
Faria sem medo? Estaria indo em frente ou então,
regredindo?
Estaria
parado no mesmo caminho?
Seria
uma pausa entre ali e o infinito?
Seria
uma ponta de caos inrrompendo a rotina? O cotidiano marcado
na rocha, na pegada de barro, na esquina arenosa? Tudo
ameaçado por uma mudança? Se muda o sentido,
se alterna a distância?
Estaria
o fim mais perto se eu virar uma esquina? “
São
pequenas decisões no presente que lhe tornarão
a pessoa que será em seu futuro.
Dúvidas quanto ao futuro, todos nós temos.
E serão sempre dúvidas, eternas incógnitas
que temperam o caminho entre o nascimento, o crescimento
e a morte.
Como se arrepender de uma escolha, esta certa ou errada,
se qualquer que seja o caminho há de ser sempre
uma nova estrada?
E qualquer que seja a estrada, sempre existirão
novas esquinas para novas escolhas, em um eterno processo
de renovação que só tem em comum
um sentimento. É nesses caminhos que se renova
a esperança.
A esperança de um novo dia, de uma nova esquina,
de uma nova trajetória.
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