Matéria:
Pesque Pague Ledoux
Desta vez, o maior não escapou!
Por McLeod
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Três
finais de semana seguidos de feriado e a promessa
de muitas pescarias. Assim foi o mês de abril
de 2006, que nos surpreendeu com a chegada das primeiras
frentes frias do ano, marcando o início de
um Outono que promete ser longo, frio e extremamente
caseiro. Sinceramente, estou com certo receio do
inverno...
Hoje faço um narrativo dos três finais
de semana seguidos, prolongados por feriados, onde
dois dos quais passamos no Pesqueiro Ledoux, em
Itapoá, litoral norte de Santa Catarina.
O
local já é velho conhecido nosso,
pois foi onde capturei meu primeiro Black Bass,
como você pôde acompanhar na matéria
publicada aqui a algum tempo (para um lembrete,
clique aqui).
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(Clique
no mapa para ampliar) |
Retornamos
ao pesqueiro Ledoux no final de semana prolongado devido
ao feriado de Páscoa de 2006, e no final de semana
prolongado devido ao feriado do Dia do trabalho do mesmo
ano. Em ambas as ocasiões constatamos que o local
está ficando mais movimentado.
Muitos colegas pescadores, muitas famílias que
aproveitam o belo local para passar o dia e até
mesmo moradores da região que utilizam o local
para atividades da comunidade local como gincanas e bailes.
Não
mais encontramos exemplares de Black Bass nos lagos do
pesqueiro. Infelizmente, depois que divulgamos o local
como criadouro da expécie, soubemos de várias
ocorrências que acabaram por dizimar a espécie
dos lagos do pesqueiro, infelizmente.
Mas,
vamos às pescarias.
O
local
Recentemente
descoberto , o pesqueiro Ledoux foi construído
em uma área bastante grande, cercada de mata nativa
e uma grande floresta de eucaliptos. O local de pesca
conta com dois lagos principais bastante vastos e espaçosos,
com vários pontos de pesca para todas as modalidades
(inclusive fly) e com exemplares de tilápia (incluindo
a espécie ativa para iscas artificiais como plugs),
carpas, pacus, carás, lambaris e traíras.
Além
dos dois lagos principais, o local ainda conta com mais
alguns lagos de criação, além de
um lago praticamente nativo com traíras e carpas-capim.
Sua
infra-estrutura ainda conta com um campinho de futebol,
cancha de bocha, sinuca e bar. O atendimento é
feito pelos irmãos Ledoux e suas famílias,
que estão sempre no local prontos à receber
novos visitantes, sempre com muita alegria e discontração,
auxiliando e informando os melhores pontos de pesca para
as espécies de peixes procuradas.
A
principal forma de trabalho do local é o pesque-pague.
Não é cobrada entrada. O quilo do peixe
limpo sai por R$ 5,00 (cinco reais).
A
pescaria
No
primeiro final de semana prolongado de abril (Páscoa)
estivemos no local praticando a pesca com plugs atrás
de traíras e pacús.
Chegamos ao local por volta das 15:00 horas e demos início
aos pinchos. Os lagos são grandes e leva-se bastante
tempo para contorná-los durante o dia de pescaria,
o que deve ser feito sem pressa pois cada ponto no perímetro
do lago tem seu potencial e seu atrativo a uma tentativa
com uma isca de superfície ou meia água.
Passamos
muito tempo sem ação em plugs, e resolvemos
mudar a prática para a pesca com ração
artificial. As tilápias se mostravam ativas e certamente
teríamos algum resultado, o que não demorou
a acontecer.
Armados com a bóias de arremesso e anzóis
envoltos em cortiça, começamos as capturas
e nos divertimos muito, pois tamanha era a atividade das
tilápias que, quando eram fisgadas, davam saltos
para fora da água com quase todo o corpo, caindo
novamente antes de serem recolhidas.
Neste momento, em um recolhimento mais lento de meu conjunto,
reparei em uma batida em minha bóia de arremesso.
Mas algumas maniveladas lentas e, em uma batida certeira,
uma traíra de cerca de 500 gramas engole inteiro
meu engodo de anzol e rolha me deixando apenas com a extremidade
da linha.
Eu nunca havia visto uma traíra atacar um engodo
de ração artificial, e essa não apenas
atacou, como rompeu a linha levando embora minha isca.
Posteriormente
retornamos aos plugs, e acabamos retirando uma traíra
de porte pequeno e, para nossa surpresa, uma tilápia
de bom porte em uma KV Papa Todos. E aos 46 do segundo
tempo, já cansado de tanto caminhar, arremesso
uma isquinha de meia-água articuladasobre umas
galhadas e me sento para recolher sem pressa. Algumas
maniveladas apenas, realmente bem lentas, recebo um ataque
que quase leva meu equipamento para água. Muitas
cabeçadas, mas sem mostrar a cara, o peixe briga
no fundo, entrando e saindo da galhada até que
finalmente consigo iniciar o recolhimento da linha, trazendo-o
à superfície. Neste momento então
vejo aquele que seria meu segundo pacú capturado
na isca artificial.
E
com essa captura encerramos o fim de semana de Páscoa
e retornamos à Curitiba. Voltaríamos ao
pesqueiro no fim de semana do feriado do dia do trabalho,
em busca de belos ataques de dentuças.
Porém neste dia chegamos muito tarde ao pesqueiro.
Por volta das 16 horas estávamos chegando, e como
não estamos mais em horário de verão,
sabíamos que ás 18 horas não teríamos
mais sol nem paciência para com os mosquitos e borrachudos.
Logo
chegamos constatamos o quanto estava cheio o pesqueiro.
Pontos de pesca que conhecíamos bem pelas muitas
atividades que já tivemos de traíras e pacús
estavam lotados de linhas, bóias e massa de pesca.
Porém, não desanimamos e iniciamos a pescaria.
Eu forçando a pesca na zara e meu parceiro, com
um popper. Logo de cara temos algumas ações,
o que acaba nos animando para as poucas horas que nos
restava no local.
Circulamos
um dos lagos principais com muitas ações
e nenhuma captura. Todos exemplares pequenos, que atacavam
as iscas e não se fisgavam. Porém, por menor
que seja a traíra, é impossível não
se divertir com os ataques e com a bagunça que
elas fazem na tentativa de abocanhar as iscas, muitas
vezes muito grandes para serem abocanhadas por exemplares
tão pequenos e pretenciosos.
O
tempo ia passando rapidamente, o sol se pondo e não
havíamos retirado nenhum exemplar do lago. Meu
cunhado teve boas ações. Porém, em
meio à diversão de ver as "bocudas"
saltando para fora da água, acabava perdendo-as
quando estas escapavam das fisgadas arremessando longe
a isca enquanto em pleno ar.
Nesse instante então, ao invés de arremessar
a isca rente à beira do lago, acabo errando o arremesso
e a isca cai a dois metros de distância da beirada.
Me culpando por não estar em um bom dia nos arremessos,
recolho a zara rápido e sem muita preocupação.
Porém, em meio à impaciência, a zara
vem trabalhando de forma perfeita, porém rapidamente,
o que desperta algo adormecido sob o espelho d'água.
Um ataque súbito, um gigante salta da água
errando o bote e caindo sobre a minha isca em movimento.
No susto, parei o recolhimento enquanto meu cunhado voltava
a sua atenção ao acontecido.
Alguns
segundos se passam e antes que eu possa tomar alguma atitude
minha isca retorna à superfície. Coninuo
o recolhimento enquanto tento entender o que aconteceu.
Iniciamos os pinchos incessantes no mesmo local, com iscas
variadas, sem sucesso. Dez minutos se passam e nenhum
sinal da fera. Continuamos em frente, chateados por ter
perdido tamanho troféu.
Depois
de mais uma meia hora, retornamos próximo ao local
e meu cunhado sugere uma nova tentativa de captura do
"ogro" que perdemos momentos antes. Caminhamos
alguns metros, porém eu parei a cinco metros antes
do local em questão, e troquei a isca por uma Birutinha
já levemente marcada. Penso em aguardar meu parceiro
tomar posição oposta ao ponto de atividade,
de forma a cruzarmos as iscas para provocar o bicho ao
máximo e aguardo.
Enquanto isso, meu cunhado sugere que eu já arremesse
enquanto ele se posiciona, o que faço prontamente.
Mais uma vez, erro o arremesso, que deveria ser paralelo
à beira do lago, e a isca cai a uma distância
aproximada de dois metros da beirada do lago. Enquanto
me culpo mais uma vez pela falha no arremesso e aguardo
a isca flutuar para trabalhá-la mais próximo
à superfície, meu cunhado pausa a sua caminhada
e se vira, me olhando assustado. Porém antes que
ele dissesse qualquer palavra, em uma atitude automática
inicio o trabalho dando dois toques de ponta de vara.
Nesse instante a birutinha some do espelho dágua,
mergulhando em seu nado errático e imediatamente
meu equipamento é colocado a prova, em uma luta
que eu nunca tive antes quando pescando em água
doce.
Em
poucos segundos, muita adrenalina. Muita briga de fundo,
meu parceiro perguntando "pegou? pegou?" e eu
sem saber o que responder. Eu sabia que tinha peixe na
linha, porém mais parecia um toco de árvore
que não se mexia. Eu não conseguia erguer
a linha ou sequer recolhê-la alguns metros para
ver o espécime... A linha mexia lentamente no fundo
do lago, de um lado para o outro, em um movimento suave
e, ao mesmo tempo, pesado. Porém, se mexia, o que
mostrava que era pequena a probabiliodade de se tratar
de um enrosco.
Começo
então a caminhar para outra extremidade do lago,
de forma a cansar o peixe e a achar um barranco firme
para poder retirá-lo da água. E nada da
fera mostrar a cara. Quando menos espero, a fera salta
para fora da água sacudindo minha isca fazendo-a
vibrar com violência, e mergulha novamente. Caminho
mais alguns metros enquanto a fera toma linha, salta,
esperneia, sacode o que pode e não consegue se
livrar da minha birutinha.
Minutos
depois, em um barranco mais firme, meu parceiro retira
o exemplar da água e o boga (alicate com
dinamômetro) marca o peso. Pouco mais de dois quilos
e meio. A isca, totalmente escondida entre as presas da
maior traíra da minha vida de pescador.
Trêmulo, pouso para fotos sob o som de gritos e
berros dos demais pescadores que estão pescando
em outros pontos do lago.



A
balança oficial, momentos depois, marcou 2.950
gramas. Quase três quilos que representa o meu recorde
de pesca em água doce.
O
dia termina com mais algumas ações e mais
nenhuma captura. Na hora de ir embora, muita conversa
com os demais pescadores e um refrigerante para terminar
um dia de pesca que se tornou inesquecível.
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