Matéria:
"É um BASS!!! Peguei um BASS!!!!"
Por McLeod
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Levantamos
cedo naquele ensolarado dia. Eu, minha esposa e
meu sogro, animados e bem dispostos para uma manhã
de pescaria onde caberia à minha pessoa a
tarefa de guiar-nos até o pesqueiro, este
recém descoberto dias antes.
“Material
de pesca a prumo e velas ao vento”, içamos
âncoras às 08:00 AM para um percurso
de 20 km, em sua maior parte estrada de terra batida
e muita poeira. Mas tudo bem, por um bom pesqueiro
vale tudo. Chegamos ao local por volta das 08:50AM,
quando logo percebi os olhares de satisfação
de meus companheiros de jornada ao vislumbrarem
a bela paisagem que os aguardava.
Um
belíssimo e grande lago cintilava á
luz do sol. O céu, limpo como nunca, dava
a certeza de não sermos importunados por
mau tempo pelos próximos dias, no mínimo.
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(Clique
no mapa para ampliar)
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Logo
montamos acampamento sob algumas árvores, em um
dos únicos pontos do lago que nos daria sombra
ao longo de toda a manhã. Montamos nossas varas
enquanto o proprietário do local nos acompanhava,
nos contando histórias sobre os peixes que ali
encontraríamos - carpas, pacus, traíras
e tilápias - e sobre os poucos clientes que frequentavam
o local, aberto recentemente.
Em
poucos minutos minha esposa já se degladiava com
tilápias de belíssimo porte, que logo eram
guardadas por mim ou pelo meu sogro. Algumas escapavam.
Outras menores acabavam por ser soltas para crescerem
um pouco mais. Enfim, já sabíamos que a
manhã seria agitada.
Enquanto
meus companheiros se divertiam com massinhas, tilápias
e alguns "carás que davam as caras" por
ali, peguei minha caixa de iscas artificiais, minha carretilha
Marine Sports Titan 6000 já preparada em minha
vara de mesma marca e comecei a dar minhas pinchadas em
torno do lago, atrás de algumas dentuças
de “mais de três quilos” que sabia-se
ali existir.

Foi
uma manhã produtiva até para artificiais,
pelo menos em quantidade. Apenas pequenos exemplares de
traíras apareceram, atacando minha coleção
de iscas de meia-água, minhas zaras e meus sapos
de borracha. Como estava longe de todas as vistas, pude
soltar os peixes sem problemas. Até por que seria
uma pena matar exemplares tão pequenos.
"Meu
desespero e irritação foram ao ápice
enquanto eu desfazia a mãe de todas as
cabeleiras..."
Já
era 11:30 AM, e sabendo que iriamos almoçar em
casa, logo deveríamos partir. Já me enxergava
voltando para casa atolado até o pescoço
(pois ninguém viu a captura de nenhum exemplar),
como alvo de diversas piadinhas devido á propaganda
que havia feito do lago para meus companheiros.
Dado momento, quando achei que finalmente teria uma ação
de um exemplar maior, algo fiz de errado em minha carretilha
e nenhum arremesso mais dava certo. Me senti em uma verdadeira
barbearia ao ar livre, com cabeleiras sobre cabeleiras
que chegavam a fazer sumir a minha mão que segurava
a vara.
Meu desespero e irritação foram ao ápice
enquanto eu desfazia a “mãe de todas as cabeleiras”
e, ao segurar um lado da linha com a ponta dos dedos e
puxar levemente, a linha rompe como se fosse fio de algodão.
Recolhi minha zara que estava a quase 8 metros da beira
do lago puxando a linha e a enrolando na mão, enquanto
espraguejava e retornava até onde se encontravam
minha esposa e meu sogro.
Irado
com a situação, guardei minhas iscas artificiais
e esvaziei a carretilha retirando toda a linha e a deixando
como nova. Coloquei-a de lado e peguei meu conjunto micro
para pescar umas tilapinhas que, naquela altura do campeonato,
valeriam para não voltar atolado pra casa.
Já
como alvo de piadas de minha esposa que ensacava sozinha
6,5kg de tilápias que eram verdadeiras “raquetes
de tênis”, e atolado até o pescoço,
fervendo de raiva da carretilha sem entender o que acontecera,
sentei-me na beira do lago e comecei a perder bolinhas
de massinha para as tilápias. (Juro que ouvi muitas
delas rindo da minha cara...)
"Meu
sogro comentou... -Vamos ficar mais uma horinha...
Essa era a chance que eu precisava."
Neste
instante meu sogro comenta de ficarmos mais “uma
horinha”, já que o dia estava tão
bom. Era a chance que eu precisava. Abri meu carretel
novinho em folha de linha BASS 0,31mm amarela mono e dei
início ao procedimento de remontagem da carretilha.
Após alguns minutos, a carretilha cheia novamente
com linha “zero bala”, ato na ponta da mesma
um snap com girador e neste, minha zara (9 cm) de dorso
vermelho rubro e barriga alaranjada.

A isca fatal
Regulei
o freio da carretilha de todas as formas possíveis
e comecei a testar arremessos. Bastou dois arremessos
para que eu me acertasse com a carretilha e fizéssemos
as pazes.
4 arremessos, regulagem perfeita. Cheio de motivos para
rir, dou mais um arremesso... quase 10 metros sem cabeleira.
Nem sinal de cabeleira. Inacreditável. Nem pareceia
a carretilha tão revoltada de minutos antes.
Venho
recolhendo a linha dando toques de ponta de vara e a zarinha
vem fazendo seu balé sobre a água... rapidinho....
devagarinho..... linda a cor da isca nas águas
escuras.... De repente, em um trovão que cai á
minha frente sobre a água, explode como nunca vi
antes a superfície onde antes se encontrava minha
zarinha, dançando. Uma explosão seguida
de outra, com um barulho ensurdecedor do "ratlin"
da isca e da superfície da água. Ali, a
dois metros do meu pé.
Com
o coração em algum lugar que não
sabia onde, tratei de me acalmar e vir trazendo em minha
direção o causador daquelas explosões.
E não se entregou fácil não. Recolhi
vagarosamente, sem pressa, até o meu pé.
“Cara, que traíra braba meu irmão....”
pensei comigo, ainda com as mãos trêmulas.
"Olhei
o corpo do exemplar, esverdeado e cinza, os olhos
negros... e não deu outra... É um
BASS!!! Peguei um BASS!!!"
Quando
vejo, não tinha os dentes pontiagudos característicos,
e era menor do que deveria ser, devido aos estrondos e
a força. A boca estava muito grande para ser uma
traíra.... e encharutou a zara inteira, nunca vi
coisa igual ao vivo. Olhei o corpo do exemplar, esverdeado
e cinza, os olhos negros, e não deu outra... meu
grito pôde ser ouvido a 10 km de distância....
“É um BASS!!!! Peguei um BASS!!!!!”
Em
meio a um verdadeiro frenesi de sensações,
pedi à minha esposa que pegasse a câmera
e registrasse o momento que seria responsável pela
minha alegria nestas férias. Abaixo seguem as fotos
do meu primeiro Black BASS, com 550 gramas e 32 cm.




Após
a sessão de fotos, mesmo na cara do dono do pesqueiro
e sem perguntar se podia, eu soltei o pequeno bass na
beira do lago... aparando-o por uns instantes até
que este se recurepasse, o que não demorou. O vi
partir então sumindo nas águas escuras do
lago.
Foi
rápido. Rápido demais, mas ainda posso sentir
a emoção de segurar aquele Bass em minhas
mãos. E é uma sensação inesquecível
senhores. Ainda mais quando você não acredita
que é um BASS. Ou melhor, quando você não
sabia que tinha Blask BASS no lago, e o dono do pesqueiro
nem sabia de qual espécie se tratava. O dono do
pesqueiro não sabia o que era um “BREQUE
BREQUE”, como ele chamou e deve chamar até
hoje.

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