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:. Pesca com rolha

Por McLeod

Uma pequena teoria...

A pesca de bait com rolha é uma técnica adaptada da pesca de fly, ou pesca com mosca.
Para podermos dar continuidade ao assunto, abaixo procuro descrever de forma bem superficial o funcionamento da pesca com mosca e seus princípios básicos.

Breve histórico

Uma das mais antigas modalidades de pesca já desenvolvidas e aperfeiçoadas pelo homem é a pesca de fly, também conhecida como "pesca com mosca". Certamente uma das mais belas práticas de pesca, considerando o verdadeiro "balé" proporcionado pela linha quando trabalhada harmonicamente em movimentos suaves e precisos pelo pescador.

Com equipamentos específicos, a pesca com mosca exige uma prática muito maior do pescador, quando comparada à pesca com iscas artificiais do tipo bait (com plugs, worms e shads de silicone e outras).
Nesta modalidade, as iscas são, em sua grande maioria, bastante leves, confeccionadas muitas vezes pelo próprio pescador com os mais variados materiais, dentre os quais destacam-se as linhas (lã, nylon, fios de diversos materiais) e resinas do tipo epoxi.
A ênfase da pesca com mosca é o trabalho correto da linha em movimentos contínuos e o seu arremesso, o qual termina pousando suavemente a linha no espelho d'água. Na extremidade da linha, uma isca leve pousa e flutua simulando um inseto na superfície da água.
Muitas espécies são capturadas nesta modalidade, destacando-se Trutas, Carpas, Tilápias, Lambaris, Black Bass e Traíras.

Para se ter maiores informações sobre a pesca com mosca ou a pesca de fly, recomendamos o website http://www.flysul.com.br.

Adaptando o princípio

Tomando como base a pesca de fly, os pescadores de bait procuraram adaptar o princípio da isca flutuante à sua modalidade de pesca e obteram excelentes resultados.

Os materiais são os mesmos da pesca de bait, com uma vara e uma carretilha/molinete à escolha do pescador e, preferencialmente, condizente com o peixe que se pretende capturar. Com a carretilha/molinete montada corretamente ao caniço, na extremidade da linha ata-se uma bóia de arremesso.

Esta bóia de arremesso, como o próprio nome diz, é uma bóia que tem em seu interior um pequeno chumbo, o que a torna mais pesada e permite, assim, o arremesso de iscas mais leves. Daí o nome, bóia de arremesso.

Na outra extremidade da bóia de arremesso, liga-se um chicote (líder) de, no mínimo, um metro. Lembrando que, quanto maior o chicote, mais difícil o arremesso do conjunto (bóia+chicote+isca).
Por sua vez, na extremidade oposta do chicote, teremos a isca.

No desenho esquemático à esquerda podemos ter uma forma mais fácil de compreensão para a montagem deste equipamento.

Os arremessos

Os arremessos, nesta técnica, requerem certo cuidado e extrema atenção.
Para o arremesso deste conjunto, utilizo uma das formas mais comuns de arremesso de iscas artificiais.
Obs.: A forma que descreverei cabe apenas como exemplo, e é a forma que melhor me adaptei à técnica. Esta pode não ser a forma ideal de arremesso para o seu estilo como pescador, pois cada pescador desenvolve, naturalmente, a forma que mais lhe agrada de proceder com diversos tipos de arremessos diferentes.
Para descrição, tomo como base a questão de que sou destro e utilizo carretilhas. O formato do arremesso requer adaptação nos detalhes no caso de pescadores canhotos e/ou no uso de molinetes.

Procedo reconhendo a linha de forma a deixar a bóia de arremesso a um palmo da ponta da vara.
Acerto a empunhadura correta no cabo da vara, com o polegar direito travando a linha na carretilha.
Elevo a vara, girando-a sobre meu ombro direito, de forma a manter a carretilha sobre meu ombro, com a ponta da vara e o chicote nas minha costas. Neste momento, certifique-se de que não há nenhum obstáculo às suas costas, tal como uma árvore, uma vegetação qualquer ou o trânsito de pessoas.
Comedidamente, ou seja, com menos força e mais prática, estico o braço à frente, liberando a linha no momento certo. Atenção: a prática neste momento leva à perfeição. Não tente arremessar a 20 metros o conjunto logo no primeiro arremesso. Pratique procurando se adaptar e pegar o jeito do arremesso. Só assim você verá que não é a força que determina a distância coberta pela isca, e sim, o jeito.

Neste momento, a bóia de arremesso e a isca serão lançados a frente, girando em um eixo central controlado pelo chicote. Devido ao balanceamento do conjunto, quando no arremesso, a tendência é que a extremidade da linha "gire" neste eixo.

Quando a isca e a bóia estiverem na altura da sua visão, prestes a tocar na água, trave a linha levemente na carretilha, de forma a forçar que a linha se posicione corretamente antes de tocar a superfície da água. A posição correta da linha é totalmente esticada sobre a água, com a isca à frente da bóia de arremesso.
Uma posição incorreta, por exemplo, seria a linha cair na água com a bóia á frente da isca, o que certamente será prejudicial à efetividade da pesca nesta modalidade.

Praticando a modalidade

Na prática do fly, o pescador utiliza-se apenas da isca artificial. Todo o material é leve e, quando no arremesso, consegue-se fazê-lo sem maior perturbação na água, sem maior barulho e, assim, sem espantar os peixes. Trata-se de uma técnica que requer delicadeza, prática e muito silêncio.

Na adaptação para o bait, esta técnica precisou de mais "peso", para a eficiência dos arremessos, o que resultou em maior barulho e maior agressividade no arremesso do conjunto (bóia+chicote+isca). Desta forma, iscas feitas para o fly, que imitam pequenos insetos, acabam não tendo a mesma produtividade apresentada na técnica original.

 
  Rolhas industrializadas: à venda nas casas do ramo.

Hoje, no mercado, encontramos iscas artificiais com as mesmas características das iscas originais de fly, porém com formatos que lembram grãos de ração seca - destas normalmente utilizadas na pesca com iscas naturais ou na piscicultura -, desenvolvidas em cores diferenciadas e em materiais diversos. Assim com as iscas de fly, são leves e flutuam no espelho d'água. Estas iscas, que imitam grãos de ração, são as utilizadas na técnica adaptada para o bait.

 

Procede-se da seguinte forma. Arremessa-se um punhado de ração seca natural sobre a superfície do lago. A ração deverá cair espalhada em uma pequena área.
Observe a ação dos peixes para com a ração espalhada na água. Aos poucos eles virão à superfície se alimentar com a ração flutuante. Aguarde até que os ataques comecem, e arremesse a sua isca artificial além da linha dos ataques ou na mesma linha, em meio ao cardume.
Você pode proceder com o recolhimento da linha, se desejar, mas de forma realmente lenta e natural. Lembre-se: a isca não deve imitar um objeto vivo, e sim uma ração natural flutuando no espelho d'água.
Facilmente os peixes irão confundir sua ração artificial com as rações naturais, atacando a sua isca. É claro, a fisgada no momento certo é fundamental.

Rolhas caseiras: confeccionadas em casa, com materiais diversos.  

Esta técnica é muito produtiva e divertida na pesca de tilápias e carpas, principalmente.

Dicas

# A queda da bóia de arremesso na água é um comportamento um tanto brusco, que poderá resultar na dispersão dos peixes, espantando-os da linha dos ataques. Por isso sempre procuro arremessar após a linha dos ataques, procedendo com o recolhimento bem lento, parando a isca artificial em meio ás naturais. Assim, a queda da bóia na água ocorre longe do cardume, o que evita de dispersá-los.

# Normalmente, estas iscas na superfície da água atraem peixes de todos os tamanhos. Porém, carpas e tilápias mais velhas tendem a ser mais cautelosas, e o menor ruído estranho ou fator que pareça diferente do normal é motivo para espantá-las.
Um fator que espanta os maiores exemplares é a bóia de arremesso, quando esta fica muito próxima à ração artificial. Por isso é importante manter o chicote o mais esticado possível, mantendo a maior distância possível entre a bóia de arremesso e a isca.

# É normal a utilização de snaps quando na pesca com iscas artificiais. Atenção: o uso de snaps para fixação da isca artificial, nesta modalidade, é extremamente prejudicial para a produtividade da pesca. O peso do snap prejudica a flutuação da isca, diferenciando-a das demais rações naturais.

   

 
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